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O LÍDER FUGIU

  • Foto do escritor: LAPP
    LAPP
  • 30 de dez. de 2022
  • 2 min de leitura

(Tirinhas da magnífica @laerteminotaura - publicada na Folha de São Paulo).



Hoje, dia 30 de dezembro de 2022, o vigente presidente da república, Jair Bolsonaro, embarcou-se no avião das forças armadas, utilizando pela última vez o dinheiro público, para sair de férias.


Você poderia me perguntar: “mas ele não tem direito de fazer isso?”


Questão à qual respondo com: “Quantos outros presidentes, no penúltimo dia dos seus mandatos, pegaram um avião para outro país para “sair de férias” ?”.


O líder fugiu. Os seus apoiadores, na sustentada esperança de invalidar as eleições, continuam cumprindo atos de terrorismo, atos contra a democracia, porque o “messias” nunca poderia falhar, nunca poderia brochar, nunca poderia perder. A libido se liga inconscientemente à figura do chefe supremo, a defesa a todos os custos dessa personagem mítica, não segue uma lógica, é movimentada pelas emoções e os afetos presentes no mais íntimo dos indivíduos. Mas o líder, nesse caso, fugiu. Fugiu já naquele dia de outubro, quando perdeu as eleições e não teve a coragem de congratular o novo presidente eleito. Fugiu nos últimos dois meses, quando mal se posicionou contra os ataques à democracia. E hoje, fugiu fisicamente.


As hipóteses que podemos fazer sobre essa fuga, são diversas, mas o questionamento maior, a meu ver, é “o que será dessas 40 milhões de pessoas, que até o último, acreditaram nesse salvador? O que será da violência que foi prezada como valiosa nesses últimos 4 anos? O que será dos preconceitos, e das falsas informações que foram tão divulgados neste governo? Onde vão ser direcionadas todas estas energias?”.


A conta está por vir, e silenciar essas vozes, com acusações de racismo, machismo, lgbtqiafobia, e quem sabe o que mais, nos pode levar ao surgimento de outras figuras extremistas, como foi a do Jair Bolsonaro. Por quanto o mandato deste presidente foi devastador, para as políticas sociais, para a educação, para a saúde, para a cultura entre outros, ele teve a maior importância para mostrar que, dentro da sociedade brasileira, embaixo das fachadas, ainda persistem e resistem enormes preconceitos, mais do que talvez pensávamos antes de viver esses últimos 4 anos.


Assim, não só teremos que reconstruir o que foi desconstruído pelo último governo, mas também teremos que trabalhar mais a fundo para realmente gerar uma mudança, não só a nível governamental, mas a nível social e individual.


A escuta do Outro, sem julgamento, sem encaixá-lo em uma caixinha, sem recobri-lo com as nossas contratransferências, talvez seja uma das tarefas mais difíceis para nós, estudantes de psicologia. Mas talvez isto seja também, o caminho para a transformação da nossa sociedade. Se continuarmos a nos entender como certos, e ver o outro como errado, nunca chegaremos ao ponto de encontro.


Que essa nova esperança de um governo mais justo e acolhedor com a população, se reflita nos nossos fazeres, dentro e fora dos consultórios, das clínicas e das universidades.


Feliz 2023!


Michela Ruta

Presidente da Liga Acadêmica de Psicanálise e Psicopatologia - LAPP

@lapp.uni9


 
 
 

3 comentários


willians ferreira
willians ferreira
13 de jan. de 2023

O texto é julgador e pior ainda é mentiroso, pois, não sei de onde foi tirado que o ex presidente fugiu.

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Sua fala sobre "ouvir sem julgar" cai na contradição em apontar o Presidente Jair Bolsonaro. O tema do seu texto é julgador, ligando ao fato de uma viagem de descanso, precisamos mesmo nao apontar.

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LAPP
LAPP
04 de jan. de 2023
Respondendo a

Meu texto é crítico, como deve ser todo pensamento voltado aos nossos governantes, contudo, se você ler de novo, não falei em nenhum momento que Bolsonaro não tinha direito a ir de férias. Apontei fatos que aconteceram, e questionei as razões. Na sua opinião não precisa ser apontado que, após não congratular o Lula para a vitória, Bolsonaro saiu do país e não passou a faixa presidencial? Os rituais são simbólicos, e a quebras deles são extremamente significativos a nível psicológico e cultural. Assim, o questionamento, a meu ver, é bem justificado.


Mas acho que o mais importante aqui é, o que lhe faz sentir a viagem do Bolsonaro?


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